sexta-feira, 14/12/2018
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Evandro e as professoras Fernanda e Valéria, apoiadoras do projeto

Homem-livro faz arrastão no calçadão da João Pessoa

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O calçadão da rua João Pessoa, no centro de Aracaju, foi palco, hoje, 24, pela manhã, de um arrastão. Mas não se assuste: foi um arrastão literário para distribuição de mil revistas da turma da Mônica, idealizado pelo pedreiro Evandro dos Santos, conhecido como “Homem Livro”, um sergipano de Aquidabã que mora no Rio de Janeiro há 45 anos e lá possui a Biblioteca Tobias Barreto. Desde 2006 que ele faz essa atividade e essa é a sexta vez que o arrastão ocorre em Aracaju. O objetivo é incentivar a leitura.

“Eu vim a Sergipe tratar de assuntos particulares. Aproveitei e trouxe as revistas para distribuir com a população”, disse Evandro dos Santos que, uma vez por mês, faz um arrastão literário no bairro da Penha, onde mora, justamente para incentivar nas pessoas e, principalmente, nas crianças, o hábito pela leitura.  Ele vai doar 250 revistas a Escola João Figueiredo, no povoado Arrodeador, em Muribeca.

A paixão de Evandro pelos livros nasceu aos cinco anos de idade, na feira de Aquidabã lendo e ouvindo literatura de cordel.  Hoje, durante a conversa com as pessoas que iam receber as revistas no calçadão, Evandro falava de escritores sergipanos e aproveitava para falar sobre os mestres da literatura e recitar um poema. Assista:

 

Para essa empreitada, Evandro não estava sozinho. Ele contou com o apoio das professoras Valéria Soares e Fernanda Carvalho, da Educandário Sonhar Mais, em Aquidabã. Elas já conhecem o projeto e vieram apoiá-lo e ficaram encantadas com a recepção das crianças. Mas nem todos os adultos paravam para receber uma revista gratuitamente.

“Estamos vivendo uma realidade muito difícil no nosso país. Essa crise e a violência estão deixando as pessoas assustadas. Elas não entendem a abordagem que é de incentivo à leitura. Elas acham que é visando lucro ou para distrair para alguém roubar.  A gente entende porque o senso de medo hoje no Brasil é muito grande. Mas no geral, as crianças são muito puras, abrem o sorriso como se estivessem recebendo o presente maior do mundo. E isso compensa, o cansaço, a distância de 96 quilômetros de Aquidabã para Aracaju”, explicou.

Evandro ainda não fez um arrastão em Aquidabã, mas as professoras garantem que farão um na cidade. A Fernanda Carvalho ficou encantada com o projeto. “Lá na escola nós trabalhamos com cordel, paródia, mas nada se equiparou ao que vivi hoje”, disse.

O projeto encantou as pessoas. “A proposta dele é maravilhosa. Acho que as pessoas deveriam ver essa inciativa como exemplo e copiá-la. Não faz mal copiar aquilo que é bom, porque a gente propaga e mais pessoas são beneficiadas com os livros”, disse o funcionário público Mário Soares que levou quatro revistas para o filho de seis anos. “Ele vai adorar”, acredita.

 

 

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