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Josefa e Sillas: faça-se a luz

Doar: uma questão de visão

Publicado em 22 de junho de 2016, 12:50

O curioso nessa história, é que Sillas, ao fazer postagem, recebeu palavras de incentivo da irmã da Cláudia, a vítima do acidente no Jardins. Nem Sillas e nem essa moça sabiam, naquele momento, que as córneas seriam da Cláudia.  “Eu estava desconfiado que era ela (Cláudia). Tinha visto na TV a reportagem sobre a morte dela e que ela queria ser doadora. Mas, somente quando a secretária da doutora Andrea me ligou é que eu associei uma coisa com a outra. No dia seguinte, liguei pra a irmã da Cláudia e tudo foi confirmado”, contou.

“Foi uma coincidência muito grande. Me sinto melhor pelo histórico da Cláudia. Ela era ativista e eu também sou. Apesar da tristeza pela Cláudia ter ido, a irmã ficou muito feliz por um amigo receber uma das córneas dela”, afirmou. “Acho que posso passar um pouco de alívio para a família da jovem. Vou me recuperar e quando tiver possibilidade vou conhecer o pai da doadora”, frisou.

Usando a rede social, Sillas fez um desabafo: “tudo tem ido pro caminho certo” e pediu “amigos, não amigos, inimigos, simpatizantes, familiares, lovers, orem comigo para que o transplante ocorra bem, assim como a recuperação”.

Quase duas semanas depois da cirurgia, na última sexta-feira, 17, Sillas foi atendido pela oftalmologista que fez a cirurgia, Andréa Pinheiro, e recebeu a notícia de que a recuperação dele estava indo muito bem.

Além de Sillas, outra córnea de Cláudia ajudou a agricultora Josefa dos Santos, 56 anos. Na última sexta-feira, Josefa concordou em conhecer a família da doadora e falta agora o encontro ser marcado. Os dois pacientes têm histórias de vida diferentes, doenças diferentes, mas a mesma visão: a vida deles mudou a partir do ato da família de Cláudia.

Hoje Sillas pretende retomar o curso de Relações Internacionais, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), que parou por causa do ceratocone, doença que o levou ao transplante. Josefa, com úlcera em um dos olhos, quer voltar às feiras livres de Cristinápolis e Umbaúba, onde trabalha vendendo verduras, além de ajudar o marido na lavoura para subsistência da família. Mãe de 10 filhos e 14 netos, Josefa está agoniada com o repouso que é obrigada a ter para o sucesso da recuperação.

A oftalmologista Andréa Pinheiro: minhas cirurgias são para ontem
A oftalmologista Andréa Pinheiro: “se puder, opero ontem”

Desafio – A iniciativa da família de Cláudia Ticyane foi um ato de amor. Mas é necessário que esse amor seja contagioso o suficiente para zerar a fila de espera, que hoje conta com 185 pessoas em Sergipe. Na mesma semana em que Josefa e Sillas foram beneficiados, outras duas pessoas puderam ver à luz pelos olhos de outra pessoa que se foi.

“O desafio é acabar com a fila. É muito importante a doação de córnea. Ela pode ser retirada até seis horas após o óbito. E quando a retiramos, existe um líquido especial que a preserva em até 15 dias”, explicou Andréa. Mas nem sempre é preciso esperar tanto tempo para o transplante. Os pacientes estão sempre preparados para esse procedimento.

“Deixo meus pacientes sempre prontos. Se puder, opero ontem. Quanto mais cedo, melhor o resultado. A pressa é nossa”, assegurou Andréa Pinheiro. “A rejeição é carreada pelos vasos sanguíneos. A córnea é um tecido que não tem vaso sanguíneo, então a rejeição é mínima. O transplante muda a qualidade de vidas do paciente”, afirma a oftalmologista.

Para ela, doação é um ato de amor. “Meu agradecimento e de todos que fazem a Central de Transplantes. Minha gratidão à família de Cláudia, que na hora da dor que nós reconhecemos, fez o bem a outras pessoas. Espero que outras famílias se sintam mobilizadas. Nosso desafio é zerar a fila do transplante de córnea, mas é um desafio bom. Precisamos estimular isso”, ressaltou.

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