segunda-feira, 21/10/2019
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Os percalços da indústria sergipana Foto: Vieira Neto

A indústria sergipana regrediu e atrasou o crescimento nordestino

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Desde o início do século XXI, a economia sergipana vem perdendo a sua importância regional. Em 2002, o estado respondia por 5,3% da economia nordestina. Em 2016, essa participação decaiu para 4,3%.

Isso aconteceu porque a economia sergipana expandiu-se menos do que a das demais unidades federativas da região Nordeste. Enquanto os outros estados cresceram, em conjunto, algo em torno de 55,6%, Sergipe viu a sua riqueza aumentar em apenas 25,7% nesses 14 anos.

Apesar de um espasmo de queda em 2009, o ano da inflexão da economia sergipana é 2012. Até essa data a economia sergipana cresceu 43,2% mas, a partir daí até 2016, sofreu uma queda da ordem de 12,2%, sendo essa a maior retração dentre os estados nordestinos nesse último período.

Mesmo assim, a tendência sempre foi a da diminuição da participação da indústria na composição do produto sergipano. No alvorecer do século, o setor cobria 29% da riqueza gerada nessas terras. Década e meia depois, essa proporção é de somente 18%. Nenhum outro estado nordestino experimentou tamanha queda.

Consequentemente, o produto per capita também cresceu menos. Entre 2002 e 2016, segundo cálculos feitos a partir de números fornecidos pelo IBGE, o produto per capita sergipano cresceu apenas 2,4% contra 32,2% do grosso dos demais estados do Nordeste.

Em assim sendo, Sergipe, que era o primeiro produto per capita nordestino, em 2002, foi para o terceiro lugar em 2016. E apenas para se ter uma dimensão do que isso representa: se a trajetória até aqui observada continuar pelos próximos dez anos, o produto per capita sergipano tenderá a ser o menor da região.

Ressalte-se que esse fenômeno pode chegar a acontecer até mesmo antes dessa data, tendo em vista que a população sergipana, entre 2002 e 2016, aumentou a uma taxa superior daquela observada para o Nordeste. Foram 22,7% no estado em 14 anos, contra 16,5% da região.

Todavia, é bom deixar claro que não é o fator demográfico o cerne da questão. É importante ter em mente que a principal causa desse quadro foi a redução da relevância relativa da indústria sergipana.

No início do século ela correspondia a 7,6% do total do setor no Nordeste. Em 2016, essa fração era de 4,5%. Isso depois de ter alcançado, em 2008, quase 8,1% desse agregado macroeconômico.

A indústria nordestina como um todo avançou 31,5% de 2002 a 2016, enquanto que a atividade de transformação sergipana encolheu nada menos que 21,8%. Chama a atenção o fato de que o Piauí, no mesmo período, viu o seu setor secundário ampliar-se em 68,6%.

O recuo da indústria sergipana foi de tal monta que, em 2002, somente 13 municípios brasileiros detinham um volume de valor adicionado pelo setor manufatureiro superior ao do estado. Em 2016, esse total era de 25 localidades. Sendo que, de modo inédito, quatro na região Nordeste.

Outra nota triste dessa história é a de que, mesmo nos momentos de expansão, a resposta da indústria sergipana foi aquém do ocorrido ao nível regional. Sem o estado de Sergipe, o Nordeste experimentou um crescimento de 42,7%, entre 2002 e 2012, e uma contração de 4,8%, de 2012 até 2016.

Se a indústria sergipana é inserida nesse cômputo, o crescimento industrial nordestino é de 42,5%, no primeiro período, e a sua redução, nesse segundo momento, é de 7,5%. Torna-se difícil admitir, mas Sergipe impactou negativamente a economia do Nordeste.

O setor industrial foi tão importante para a formação desse contexto que, se a manufatura sergipana ainda contribuísse para a indústria nordestina no mesmo patamar de 2002 – os já referidos 7,6% – o estado ainda seria dono de quase 5% da economia da região.

Logo, se Sergipe pensa em recuperar as posições perdidas no âmbito da economia nordestina, ele precisa, de algum modo, encontrar meios de dinamizar novamente o seu segmento de transformação.

Fábio Salviano, sociólogo

Emerson Sousa, economista

 

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